
VERDADES
E MENTiRAS
SOBRE A DEUSA
GATA

Bast
e Sekhmet não são irmãs
Bast e Sekhmet
aparecem associadas desde 1850 AC. Aparecem juntas mas não
existe evidência de laços consagüíneos entre
elas e nem para a leitura de que sejam ambas uma só deusa com
duas faces, meiga X raivosa. O papel de Bast como vingadora nega essa
interpretação. Mesmo nas eras mais recentes Bast ainda
carrega o Uadjet e veste o Wadjet, o que mostra seu papel de vingadora
divina. Nem Sekhmet é o lado zangado de Bast nem Bast é
o lado pacífico de Sekhmet. Bast era a Deusa do Norte e seu
principal local de adoração eram as terras baixas, enquanto
Sekhmet era a Deusa do Sul. Bast e Sekhmet representavam o Norte e
o Sul, não a paz e o ódio.

Bast
não é Deusa do Sexo
Talvez por conta
da associação moderna entre felinos e mulheres (mulher
bonita =gata), Bast é vista como deusa da sexualidade feminina.
Não se deve associar a visão que se tem hoje dos gatos
domésticos com a que existia no Egito antigo. Não existem
evidências de que os antigos egípcios associavam gato
com sexo. Isso desmente a crença de que Bast seria a Deusa
das Lésbicas. Mesmo que seja uma idéia simpática
não se deve transferir os tabus sexuais de hoje para o Egito
Antigo.
Nem os adoradores
de Bast se envolviam em rituais de apelo sexual como prostituição
religiosa, danças e orgias, divinação através
de orgasmos ou strip-tease ritualístico.A prostituição
religiosa nunca foi parte da cultura egípcia. Muitas sacerdotisas
eram músicas e/ou dançarinas, mas sexo dentro do templo
era heresia.

Bast
não é a Deusa do Prazer
Engano
ligar Bast à fruição hedonística geral,
o consumo de drogas incluído. Os egípcios usavam o cânhamo
para fazer cordas. Não existe registro que mostre o uso recreativo
ou religioso da maconha.
Bast não é a Deusa dos Gatos Essa
se tornou uma crença geral moderna. Bast sempre foi associada
aos felinos, mas não pode ser colocada na posição
de defensora
de gatos e donos de gatos: é ignorar muito do que ela representa.
Curioso notar como existe a conexão de Bast com gatos e quase
nunca as pessoas associam Heru (Horus em grego) como deus dos falcões,
Khnum como deus dos carneiros ou Hethert (Hathor em grego) como deusa
das vacas. Bast é protetora por excelência, não
importa de que animal.
A ilustração
é de Dave McKean para Sandman.

Bast
não é a Deusa da Lua
Bast não
teve nada a ver com a Lua até sua associação
com a grega Artemis. Antes da influência grega no Egito a lua
era associada às divindades masculinas. Como filha do Criador
que ela realmente é, Bast é O Olho de Rá.

Bast
e Sekhmet não são Deusas
Criadoras
Existe
a crença de que Bast e Sekhmet criaram juntas o mundo. Nenhuma
das duas tem as características dos deuses criadores da religião
de Kemet. Os deuses criadores são conceitos altamente abstratos
(como Tem (ou Atum), Ptah, Geb, Ra e Nit) que dão origem a
conceitos ainda mais abstratos (como Heka, Ma'at, Tefnut e Shu.

Rituais
e litanias de Bast
Assim
como não existem nos dias de hoje templos erigidos a Bast ,
também não existem registros de seus rituais ou litanias.
Hoje se vê um sem número de rituais e litanias dedicadas
a Bast que se afirmam autênticas mas nenhuma tem registro que
garanta autenticidade.

Khonsu
não é filho de Bast
Khonsu
é o filho de Mut. Apesar de Khonsu também ter o gato
doméstico como animal sagrado, Bast é representada como
mãe de Maahes ou Hor-hekenu

Bast
não é filha de Isis
A associação Bast/Artemis com Isis/Leto/Demeter gerou
a idéia errada de que Bast é filha de Isis. |
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Neil Gaiman em Sandman, The Wake |

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Matéria recorrente
nos comix e em especial nas histórias de Neil Gaiman, a crença
nos Deuses seria o sopro que os mantém eternos. Se é
verdade, BAST continua tão viva agora como há 5000 anos
atrás. Há igrejas modernas dedicadas ao culto dos antigos
deuses de Kemet, onde a Deusa Gata é rainha.
Em http://www.per-bast.org
Stephanie Cass mostra num ensaio o resultado de suas pesquisas sobre
Bast, com links para os sites oficiais dos cultos. Em inglês.
Aqui, alguma coisa pescada e traduzida pelo KatZine.

 A
RELiGiÃO DE KEMET
Os antigos egípcios
chamavam sua terra Kemet. É de lá que vem Bast. A palavra
Egito, ou 'Aegyptos' é de origem grega. A religião de
Kemet sempre foi considerada politeísta, mas pesquisas modernas
questionam essa classificação e muitos egiptólogos
consideram que, como a maioria das religiões indígenas
e africanas, Kemet tinha um só Deus que assumia múltiplas
faces, chamadas Nomes pelos ortodoxos.
Kemet foi conquistada
pelo Império Romano, politeísta.
Antes disso esteve em contato com os gregos, também politeístas.
A linguagem dos hieroglifos esteve perdida por mais de 1000 anos.
Por esses motivos sua religião foi sempre considerada politeísta.
É importante, ao se estudar o Egito antigo, diferenciar as
épocas em que o país foi dominado por nações
estrangeiras - período mais recente - e quando ainda não
tinha contato com outros povos. De acordo com esse ponto de vista,
aqui usamos a palavra Nomes em vez de Deuses.

BAST,
A DEUSA-GATA
Bast é
um dos Nomes mais conhecidos e visíveis de Netjer, o Deus de
Kemet. É
um dos muitos Nomes que representam o Olho de Ra. Bast é um
Nome da Segunda Dinastia (2890-2686 a.C.), tem cerca de 5OOO anos.
É um dos Nomes mais antigos que se conhece. Sua missão
primeira é proteger e vingar.
Como
Olho de Ra, sua ação é a de executora, sua missão
é arrancar os corações dos transgressores e levá-los
aos pés do faraó. Daí dá para ver como
a imagem da Deusa Fofinha e Feliz do Amor vendida por esotéricosé
falsa. Bast sempre aparece associada ao rei como protetora, traço
característico de outros Nomes felinos como Mafdet, protetor
dos aposentos do faraó, e Sekhmet, destruidora dos inimigos
do rei.
Seu
papel inicial, proteger, se expande e suaviza mais tarde, à
medida que sua imagem é associada aos deuses gregos Hathor
e Isis e ela passa a ser protetora de mulheres grávidas e crianças,
invocada em rituais de fertilidade e associada à música
e às artes em geral.

Os
hieroglifos usados para escrever BAST são o Jarro ('bas') e
um semi-círculo (que representa um pão) usado para marcar
a terminação feminina em 't'. O Jarro seguido de dois
pães é a escrita para Bastet (daí a confusão
quanto à pronúncia de seu nome). Os jarros-bas são
recipientes pesados utilizados para se guardar perfumes, um dos maiores
luxos de Kemet. A própria Bast é associada com perfumes
como indica uma outra tradução de seu nome: "Senhora
dos Ungüentos".

 A
DEUSA GATA
Só em
1000 AC, quase 2000 anos depois de seu culto existir, é que
Bast passa a ser representada como um gato doméstico. Antes
disso o gato era considerado acima de representações
exceto em casos raros relacionado a Mafdet e Ra.
A representação
mais comum de Bast é a de uma mulher com uma cabeça
de gato, de leão ou de um grande felino do deserto. Esses gatos,
ferozes e fortes não eram os gatos domésticos que temos
hoje. Eram os antepassados selvagens dos nossos bichanos que moravam
no deserto e que depois foram domesticados pelos egípcios.

BAST
OU BASTET?
Talvez nunca
se saiba como soava a língua falada em Kemet. Como muitos povos
antigos, eles não escreviam as vogais. Pesquisas recentes apontam
para uma possível pronúncia do nome Bast pelos egípcios
antigos: Ubastyya(t).
É comum
ver o nome de Bast escrito como Bastet. No início do novo reinado
egípcio a letra 't' no fim das palavras começou a desaparecer
da linguagem falada, por influência dos povos estrangeiros.
Na tentativa de preservar a fonética dessas palavras, os escribas
adicionavam um 't' extra ao final para forçar sua pronúncia.
Daí vem o duplo 't' que muitas vezes vemos no nome de Bast.
Esta era a maneira dos escribas mostrarem ao leitor que a pronúncia
da palavra era 'Bast' e não 'Bas', nem 'Bastet'.


 BAST
EXiSTiA ANTES...
... do descobrimento
da América | das revoluções Industrial e Francesa
| das cruzadas e da Idade Média | de Maomé, o profeta
de Allah | da queda do Império Romano | de Cristo e seus apóstolos
| do nascimento do Império Romano | de Alexandre o Grande |
da guerra de Tróia | de Lao-Tzu, Confucio e Buda | de Ramses,
Tutankhamon, Akhenaten, Thutmos III e Hatshepsut | da construção
da pirâmides de Queops |

A
CiDADE SAGRADA de BAST
Em
Kemet era a cidade Per-Bast, que depois recebeu o nome grego de Bubastis,
e hoje é Tell Basta, ao norte do Egito. Per-Bast quer dizer
"o Domínio de Bast". Já foi escavada inúmeras
vezes desde a chegada de Edouard Naville por lá em 1887. |
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