Dois anos depois mudamos de casa (minha mãe e eu) e no
novo apartamento encontrei, na garagem, a minha TULiPA. Magra,
muito suja, mas meiga, meiga como eu nunca havia visto em animal
algum. E ela ficou, conquistou minha mãe e o coração
do Ramsés, que foi seu companheiro inseparável até
a morte de Tulipa. Bem, duas semanas após encontrar a Tulipa
minha mãe entra no apartamento com um treco, parecia um
gato, mas era um lixinho. sujo, minúsculo, com olhos esbugalhados
e chorava tanto quanto minha mãe, que dizia nunca ter visto
animalzinho tão maltratado. Assim chegou em casa a PAMiNA.
Minha mãe é tudo para ela.
Achei mais dois gatinhos ainda. uma pequeninha não resistiu
e outra foi adotada e está linda e feliz.
Neste meio tempo encontrei minha cara metade e casei. Foi na
semana seguinte ao meu casamento que Tulipa se foi, nunca me conformei.
Penso que se estivesse em casa ela nunca teria morrido.
Na casa nova eu e meu marido decidimos não ter mais gatos,
pois a reação que tive com a morte de Tulipa foi
brutal. E assim foi até que numa visita à casa de
minha prima o MUNRÁ me esperava na porta. Era o bichinho
mais feio que eu já havia visto, mas era feliz, brincava
de um lado para o outro e era de ninguém. era da rua, como
minha prima disse.aqui, ora ali.
Peguei o gato e não larguei durante todo o tempo que estive
na casa de minha prima. E só o soltei quando estava na
minha casa, discutindo o nome dele com o meu marido.
Na mesma semana, saí com minha mãe, que nunca entendeu:
dizia que os gatos são ariscos e fogem, que eu era maluca,
que corria atrás deles até pegá-los e levá-los
para casa. bem, então ela viu. próximo ao mercado
uma gatinha branca, de umas oitos semanas, se postou em minha
frente, miou prá mim. e fazer o que? Lá fui eu,
minha mãe e a gata para a clínica. Nestas alturas
os veterinários já me chamavam de sócia.
A gata estava muito doente e passei semanas tratando dela.
Os gatos chegam em mim. Parecem pedir prá que eu os pegue.
Bem, esta gatinha branca hoje está com dois anos e se chama
LAKMÉ. Durante as semanas de tratamento de Lakmé,
numa noite chuvosa e fria o porteiro me chama para dar uma olhada
numa "coisa linda que está aqui na portaria",
e conheci o TOQUiNHO, que ficou em minha casa até ser adotado
por dois grandes amigos meus.
Mas não parou por aí. Numa manhã eu ia para
a escola e um gatinho caiu na minha cabeça, literalmente;
eu estava passando por baixo de uma árvore não muito
alta e acho que ele resolveu descer por minha cabeça.
Levei o talzinho prá clínica: lá
ele ganhou o nome de CORiNTiANO (preto e branco, claro!) e já
foi adotado pela minha diarista que o ama de paixão.
Então chega, é muito gato!!!!!!!!! Disse o meu marido,
meu pai, irmão, mãe e até um pedacinho da
minha consciência. NADA! outra noite fria e chuvosa de Curitiba,
tinha acabado de sair do banho. Meu marido diz: - Dora, tem um
gato miando lá fora. Fui dar uma olhada. só levar
uma comidinha. mas não deu. ele era muito, mas muito pequenininho.
Todo desengonçado. orelhas ENORMES, patas ENORMES, o focinho
mais estranho que já vi, e lá estava ele, veio até
mim, se aconchegou em meu colo e eu o trouxe dormindo prá
casa. Já está com oito meses e é um gatão
e por ser assim desajeitado ganhou o nome de ZiRiGUiDUM: é
o xodó do meu marido.
Fui visitar minha mãe. A distancia entre nossas casa dá
prá fazer andando. Na volta pensei: - Vou trocar de caminho,
estou com o pressentimento que se continuar por aqui vou encontrar
um gato e meu marido vai me expulsar de casa. -
Troquei de caminho e encontrei a KOCHANA ["querida"
em polonês], que como todos os outros olhou prá mim,
se achegou um pouco mais, deu um miadinho muito fraco e pronto,
já estava no meu colo a caminho da clínica, onde
constatou-se que em poucos dias eu teria, além dela, mais
alguns gatinhos.prenha!!!!!!! Desta vez meu marido me mata!!!!!!!!
Voltei prá casa desconsolada com a gata no colo. Minha
surpresa foi a reação do meu marido. Acho que
ele entendeu o que acontece comigo e com os gatos. Tem agora
dois meses que a Kochana e seus dois filhotes estão alegrando
nossa casa. Hoje um casal de amigos veio ver o machinho, estão
querendo adotá-lo. Meu coração está
apertado, mas o meu apartamento também está. Não
sei como esta minha história com gatos vai acabar, mas
sei que a minha vida mudou muito desde que eles entraram na
minha vida. Sou uma pessoa muito mais feliz, mais carinhosa,
mais observadora, eles me ensinaram isto. |Dora|
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Livro de Ouro