<<<

.
 ...

Tenho o privilégio de conviver com animais desde que me lembro. Porém gatos eram um problema, pois tinha uma alergia terrível. De parar em pronto-socorro e tudo. Quando tinha 25 anos (hoje estou com 31) meu irmão ganhou um siamês da namorada, e naquela semana precisaria viajar e não tinha com quem deixar o bichinho. Ficou comigo o gato e uma dose prá elefante de anti-histamínico, porém antes que eu ficasse parecendo um tomate de olhos esbugalhados o gatinho, RAMSÉS, adoeceu de maneira assustadoramente rápida, logo depois de meu irmão tê-lo deixado comigo. Corri para uma clínica veterinária e constataram uma rinotraqueíte muito feia no filhote. Fiquei acordada por três noites e dias inteiros dando doses de antibióticos e sei lá mais o que, e para o meu espanto minha alergia foi-se embora na primeira noite.

Dois anos depois mudamos de casa (minha mãe e eu) e no novo apartamento encontrei, na garagem, a minha TULiPA. Magra, muito suja, mas meiga, meiga como eu nunca havia visto em animal algum. E ela ficou, conquistou minha mãe e o coração do Ramsés, que foi seu companheiro inseparável até a morte de Tulipa. Bem, duas semanas após encontrar a Tulipa minha mãe entra no apartamento com um treco, parecia um gato, mas era um lixinho. sujo, minúsculo, com olhos esbugalhados e chorava tanto quanto minha mãe, que dizia nunca ter visto animalzinho tão maltratado. Assim chegou em casa a PAMiNA. Minha mãe é tudo para ela.

Achei mais dois gatinhos ainda. uma pequeninha não resistiu e outra foi adotada e está linda e feliz.

Neste meio tempo encontrei minha cara metade e casei. Foi na semana seguinte ao meu casamento que Tulipa se foi, nunca me conformei. Penso que se estivesse em casa ela nunca teria morrido.
Na casa nova eu e meu marido decidimos não ter mais gatos, pois a reação que tive com a morte de Tulipa foi brutal. E assim foi até que numa visita à casa de minha prima o MUNRÁ me esperava na porta. Era o bichinho mais feio que eu já havia visto, mas era feliz, brincava de um lado para o outro e era de ninguém. era da rua, como minha prima disse.aqui, ora ali.
Peguei o gato e não larguei durante todo o tempo que estive na casa de minha prima. E só o soltei quando estava na minha casa, discutindo o nome dele com o meu marido.
Na mesma semana, saí com minha mãe, que nunca entendeu: dizia que os gatos são ariscos e fogem, que eu era maluca, que corria atrás deles até pegá-los e levá-los para casa. bem, então ela viu. próximo ao mercado uma gatinha branca, de umas oitos semanas, se postou em minha frente, miou prá mim. e fazer o que? Lá fui eu, minha mãe e a gata para a clínica. Nestas alturas os veterinários já me chamavam de sócia. A gata estava muito doente e passei semanas tratando dela.

Os gatos chegam em mim. Parecem pedir prá que eu os pegue. Bem, esta gatinha branca hoje está com dois anos e se chama LAKMÉ. Durante as semanas de tratamento de Lakmé, numa noite chuvosa e fria o porteiro me chama para dar uma olhada numa "coisa linda que está aqui na portaria", e conheci o TOQUiNHO, que ficou em minha casa até ser adotado por dois grandes amigos meus.

Mas não parou por aí. Numa manhã eu ia para a escola e um gatinho caiu na minha cabeça, literalmente; eu estava passando por baixo de uma árvore não muito alta e acho que ele resolveu descer por minha cabeça. Levei o talzinho prá clínica: lá ele ganhou o nome de CORiNTiANO (preto e branco, claro!) e já foi adotado pela minha diarista que o ama de paixão.

Então chega, é muito gato!!!!!!!!! Disse o meu marido, meu pai, irmão, mãe e até um pedacinho da minha consciência. NADA! outra noite fria e chuvosa de Curitiba, tinha acabado de sair do banho. Meu marido diz: - Dora, tem um gato miando lá fora. Fui dar uma olhada. só levar uma comidinha. mas não deu. ele era muito, mas muito pequenininho. Todo desengonçado. orelhas ENORMES, patas ENORMES, o focinho mais estranho que já vi, e lá estava ele, veio até mim, se aconchegou em meu colo e eu o trouxe dormindo prá casa. Já está com oito meses e é um gatão e por ser assim desajeitado ganhou o nome de ZiRiGUiDUM: é o xodó do meu marido.

Fui visitar minha mãe. A distancia entre nossas casa dá prá fazer andando. Na volta pensei: - Vou trocar de caminho, estou com o pressentimento que se continuar por aqui vou encontrar um gato e meu marido vai me expulsar de casa. -
Troquei de caminho e encontrei a KOCHANA ["querida" em polonês], que como todos os outros olhou prá mim, se achegou um pouco mais, deu um miadinho muito fraco e pronto, já estava no meu colo a caminho da clínica, onde constatou-se que em poucos dias eu teria, além dela, mais alguns gatinhos.prenha!!!!!!! Desta vez meu marido me mata!!!!!!!!
Voltei prá casa desconsolada com a gata no colo. Minha surpresa foi a reação do meu marido. Acho que ele entendeu o que acontece comigo e com os gatos. Tem agora dois meses que a Kochana e seus dois filhotes estão alegrando nossa casa. Hoje um casal de amigos veio ver o machinho, estão querendo adotá-lo. Meu coração está apertado, mas o meu apartamento também está. Não sei como esta minha história com gatos vai acabar, mas sei que a minha vida mudou muito desde que eles entraram na minha vida. Sou uma pessoa muito mais feliz, mais carinhosa, mais observadora, eles me ensinaram isto. |Dora|

volta para o Livro de Ouro